Arquivos de categorias: Espaço-tempo

Data: 2009.04.09 | Categoria: Espaço-tempo, Trans | Comentário: 4

965851 tunnel vision“Da mesma maneira que a terra e os outros elementos servem aos múltiplos usos dos inumeráveis seres espalhados no espaço infinito, assim possa eu, de alguma maneira, ser útil aos seres que ocupam o espaço, enquanto todos não forem libertados.
Como um cego que encontra uma pérola em um montão de lixo, assim se levantou em mim, eu não sei como, este pensamento do despertar, esta elevação do coração.
É um elixir nascido para abolir a morte dos mundos, um tesouro inexaurível para eliminar a miséria do mundo, um remédio incomparável para curar as doenças do mundo, uma árvore para descansar o mundo cansado de errar no caminho da vida, um ponto aberto a tudo o que vem para conduzi-lo fora das vias dolorosas, uma lua espiritual que se levantou para abrandar a queimadura das paixões do mundo, um grande sol para dissipar as trevas da ignorância.
Para a caravana humana que segue a rota da vida, esfaimada de felicidade, eis que está preparado o banquete em que todos poderão saciar-se novamente.
Hoje, na presença de todos os santos, convido o mundo ao estado do despertar e da pacificação, e para isso estou pronto a assumir o fardo de todos os sofrimentos, estou resolvido, eu o suportarei, não me esquivarei, nem fugirei, não tremo, não tenho frêmitos de pavor, não temo, não estou com medo, nem recuo, nem me desencorajo. Por que isso? Porque esse é o meu voto.
(…) Possa eu ser o protetor dos abandonados, o guia daqueles que caminham e, para aqueles que desejam a outra margem, ser a barca, o banco de areia, a ponte. Que eu possa ser a lâmpada para aqueles que têm necessidade de lâmpada, leito para aqueles que têm necessidade de leito, escravo daqueles que têm necessidade de escravo, a pedra do milagre, a planta que cura, a árvore dos anseios, a vaca dos desejos.”

Fonte: LELOUP, Jean-Yves. A montanha no oceano: meditação e compaixão no budismo e no cristianismo. Rio de Janeiro: Vozes, 2002 (Um extrato do Shantideva, p. 140-141-144).

Feliz Páscoa!

Marly

Data: 2008.12.29 | Categoria: Espaço-tempo | Comentário: 2

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Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia… (Chico Buarque. Fantasia)

TCris

Data: 2008.12.19 | Categoria: Espaço-tempo | Comentário: 0

Desejamos a todos que este Natal seja um momento de pausa.
Não uma pausa obrigatória por ser feriado, mas uma pausa conquistada, consentida, sentida e com sentido.
Uma pausa para a atenção… sem tensão.
Atenção a si mesmo… presença em si.
Atenção aos outros… comum-união.
Atenção ao que nos ultrapassa… trans-humaniza.
Atenção ao que nos re-liga… o Sagrado.

Para que, em 2009, possamos fazer…

da interrupção um caminho novo
da queda um passo de dança
do medo uma escada
do sonho uma ponte
da procura um encontro

(Fernando Sabino)

Imagem Boas festas 2009

Boas Festas!

Adriana Marly Monica Teresa Cristina
Coordenação da Companhia de Aprendizagem

Data: 2008.08.18 | Categoria: Espaço-tempo | Comentário: 1

tra spazio e tempo 1 2

Vivemos o tempo da grande aceleração. É indiscutível que por meio da tecnologia nós ganhamos tempo, mas estamos cada vez mais impacientes, não toleramos esperar. Pois a vida nos impõe (e nós nos impusemos) cada vez mais coisas para fazer. E vivemos sob a pressão de responder imperiosamente às situações que se apresentam: tudo é para “ontem”. E os compromissos vão se acumulando, transformando o tempo em obstáculo às nossas verdadeiras aspirações.

Estamos pagando caro por nossas realizações materiais: a vida tornou-se mais ampla, cheia de recursos e estímulos, mas, ao mesmo tempo, mais complicada e extenuante.

Como ultrapassar essa condição, ser apaixonadamente vivos, como diz M. Randon, se nos deixamos levar pela rotina, que pode trazer alguma segurança ou conforto, mas que por ser repetitiva e sem sentido acaba sendo ineficaz e enfadonha? Como apreender a vida, os processos de mudança e o próprio sentido de nossa trajetória, de nossas necessidades de transformação? Como conquistar uma temporalidade que permita a emergência de um tempo próprio, de uma nova equação temporal?

Uma nova atitude e uma nova perspectiva pedem um verdadeiro recomeço: retomar o melhor do passado, estar atento ao momento presente e deixar emergir os sonhos para o futuro.

Não é à toa que a instituição do Ano Sabático vem se disseminando em diferentes contextos: pessoais, universitários e empresariais… Tendo sua origem no Antigo Testamento (Levítico 25,2-7), é um preceito que nos faz relembrar a necessidade de respeitar os diferentes ritmos, os diferentes ciclos que regem a vida do ser humano e da natureza. Ao mesmo tempo, ele nos recorda que a terra e o homem não são máquinas de produção, que o trabalho incessante leva a uma escravidão consentida e que nem o ser humano nem a terra podem ser objetos de dominação.

O Ano Sabático se anuncia como tempo de descanso, mas não é o descanso pelo descanso, e sim um descanso funcional e dinâmico, pois continuamos criativos. Ele nos permite entrar em uma sintonia mais consciente com o ritmo trabalho/descanso, socialização/solidão, expressão/silêncio… E a estabelecer um contato mais estreito com nossas necessidades, desejos e apegos. Ele nos ajuda a perceber as diferentes maneiras de habitarmos os espaços – nos quais vivemos e nem sempre percebemos viver – clareando a demarcação de um espaço pessoal, de nosso próprio lugar nos diferentes locais e grupos com os quais nos relacionamos. Podemos, então, estar abertos para ver cada momento e cada encontro como precursor de algo novo, o que sempre provoca alguma ansiedade, mas que pode estar aliada ao prazer da expectativa do que virá.

Talvez o maior desafio seja estender a experiência vivida no Ano Sabático aos anos que se seguirem a ele e, numa espécie de peregrinação interior/exterior contínua, estar conscientes do trânsito e da transitoriedade das coisas, percebendo e valorizando cada passo no caminho e o tempo necessário para essa caminhada.

Marly