Arquivos de categorias: Sons & Imagens

Data: 2009.03.30 | Categoria: Sons & Imagens, Trans | Comentário: 3

Estamos mergulhados num mundo repleto de imagens. Algumas enxergamos, mas não vemos, não despertam nossa atenção. Outras achamos bonitas, porém logo as esquecemos, não deixam marcas. Mas há aquelas que provocam em nós uma profunda impressão, nos atravessam e nos trans-portam.
Foi o que aconteceu comigo ao assistir o vídeoarte que Ghuga Távora criou em sua passagem por Alcântara: Imagens nas alturas.
Ghuga Távora - Imagens nas alturas

Não tive a oportunidade de viajar para Alcântara – Maranhão, apesar do desejo de conhecer esse lugar “que poderia ter sido mas não foi, e por isso mesmo acabou sendo o que é”, como diz a fotógrafa Andrea D’Amato na revista Vida Simples. Mas em outras viagens que fiz, percebi que por mais que procuremos explicar essa parada no tempo, materializada nas pedras dessas cidades em ruínas, nos defrontamos com o inexplicável e, ouvindo o eco de sua história, sentimos na pele a transitoriedade da vida e seus mistérios.

As imagens nas alturas de Ghuga me ofereceram algo a mais: o vôo dos pássaros desenhando no céu uma geometria invisível foi um convite ao silêncio e a me deixar flutuar com eles pelos ares.

Não foi a toa que os pássaros emprestaram suas asas para a representação dos anjos, os mensageiros. A leveza de seu vôo, a ligação que fazem entre céu e terra, seu melodioso canto anunciando a aurora e se despedindo do dia, nos conduzem a uma sensação de ouvir ao longe, num suave sussurro, uma linguagem há muito esquecida: a linguagem dos pássaros, caminho de conhecimento e sabedoria que a tradição mística islâmica e a hebraica procuram nos fazer relembrar.

Quem me dera ganhar asas e voar! Desejo perseguido e realizado pelos homens com suas máquinas-voadoras. Mas as asas e o vôo também evocam a possibilidade de vencer a atração da gravidade terrestre, de deixar os desejos, sonhos e projetos ganharem altura e, com olhos de águia, tomar distância e ver, aprender, apreender, se surpreender, absorver e se transportar para dentro e para além de si mesmo.

Gracias Ghuga, por seu inspirado trabalho!

Marly

Data: 2009.01.20 | Categoria: Diálogo com Clarice, Sons & Imagens | Comentário: 8

abstract
“E era bom.
“Não entender” era tão vasto que ultrapassava qualquer entender – entender era sempre limitado. Mas não-entender não tinha fronteiras e levava ao infinito, ao Deus. Não era um não entender como um simples de espírito. O bom era ter uma inteligência e não-entender. Era uma benção estranha como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura de estupidez.

Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro – preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana.

No entanto às vezes, adivinhava…Eram manchas cósmicas que substituiam entender.”

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.43-44

Data: 2008.11.28 | Categoria: Agenciamento, Sons & Imagens | Comentário: 4

Em nosso Encontro Anual no Embu, a Cris nos trouxe a notícia do próximo show do grupo Mawaca (SESC-V. Mariana – dias 06 e 07/12). Eles farão o lançamento do CD Rupestres Sonoros, em que o grupo desenvolve a tradição dos cantos primitivos relacionado à contemporaneidade das pinturas modernas.
O Mawaca já ilustrou uma de nossas reuniões presenciais, em 2007, deixando em nossa memória a beleza e qualidade de seu trabalho, que valoriza a pluralidade cultural.

Como uma coisa leva a outra por caminhos entrelaçados, eu encontrei por “acaso” o Blog da disciplina Teoria da Comunicação (ministrado pela Prof. Dra. Mirna Feitoza Pereira) do curso de Comunicação Social do Centro Universitário do Norte (UNINORTE) – Rio Branco – Acre.
E foi uma agradável surpresa ver o vídeo Linguagem Não-Verbal realizado pelas alunas Eveline, Saleyna e Pollyana após uma visita à exposição Os sentidos da Amazônia.
Na abertura do vídeo aparece: Arte Rupestre, expressão da memória do nosso povo! Foi feita a ligação!
Vale conferir o belo trabalho das meninas. Elas estão de parabéns!

Marly