Data: 2011.08.25 | Categoria: Para refletir... | Comentários: 1

Conta um escritor que, certo dia, acompanhou um amigo até à banca de jornais em que ele costumava comprar o seu exemplar diariamente.

Ao se aproximarem do balcão, seu amigo cumprimentou amavelmente o jornaleiro e, como retorno, recebeu um tratamento rude e grosseiro.

O amigo pegou o jornal, que foi jogado em sua direção, sorriu, agradeceu e desejou um bom final de semana ao jornaleiro.

Quando ambos caminhavam pela rua, o escritor perguntou ao amigo:

- Ele sempre o trata assim, com tanta grosseria?

- Sim – respondeu o rapaz – infelizmente é sempre assim.

- E você é sempre tão polido e amigável com ele? – perguntou novamente o escritor.

- Sim, eu sou – respondeu prontamente o amigo.

- E por que você é educado, se ele é tão grosseiro e inamistoso com você?

- Ora – respondeu o jovem – porque não quero que ele decida como eu devo ser.

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Data: 2011.08.22 | Categoria: Sons & Imagens | Comentários: 0

“Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.”
PABLO NERUDA
Vulc  o chileno Peyehue   jun 2011

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Data: 2011.08.20 | Categoria: Notícias, Trans | Comentários: 1

H Koppdelaney Parsifal Workshop com PATRICK PAUL

“A Cavalaria iniciática não pertence ao passado. Seu espírito, sua ética e sua capacidade de ação no mundo pertencem também ao presente.
A palavra Cavalaria remete ao latim caballus, cavalo, e, mais precisamente, caballa, égua. A dimensão feminina da iniciação da cavalaria (ou cavaleiresca) parece, então, fundamental a ela por sua própria denominação (a relação com a Dama, as Cortes de Amor, a erótica dos trovadores…). Paralelamente, a palavra habitual designando cavalo era, em latim, equus. Com isso, outro sentido também é significado na palavra. Uma ligação fonética pode de fato se fazer com o hebráico qabbalah (Kabalá ou Cabalá), designando um ensinamento iniciático tradicional e oral, contraposto a um ensinamento escrito. Então, a iniciação da cavalaria (ou cavaleiresca) se inscreveria num caminho vital, experiencial e oral que conduziria a estabelecer a ponte entre natureza física e natureza espiritual por meio do encontro com o Feminino. É neste sentido que se deve entender a busca celestial do Graal proposta por Merlin, a virtude da cavalaria (ou cavaleiresca) participando do mundo material, mas abrindo para uma ligação possível com o mundo celeste. A Cavalaria é, portanto, em sua essência, kabalaria, enquanto ordem detentora do conhecimento celeste. Mas na medida em que o espírito da busca consiste em encontrar um equilíbrio harmonioso entre espiritual e terrestre, cada cavaleiro se realiza mediante um movimento duplo: interior, encontrando a si mesmo (autoconhecimento), e exterior, cumprindo sua missão celeste (quando ela for conhecida) no mundo físico” (P. Paul – trad. Américo Sommerman).

PATRICK PAUL abordará esses diversos pontos a partir de uma leitura aberta do livro Percival de Chrétien de Troyes, escrito no fim do século XI, quando do apogeu dessa iniciação.

Datas e horários: 27/08 (das 9:30 às 18:00) e 28/08 (das 9:30 às 17:00)
Local: Rua Aureliano Coutinho, 215 – Higienópolis – S. Paulo – SP
Informações e inscrições: dalva_alves@hotmail.com

Imagem: Parcifal – foto de H. Koppdelaney

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Data: 2011.08.09 | Categoria: Notícias, Para refletir... | Comentários: 0

Elogio a pregui  a Nunca se trabalhou tanto como nos dias de hoje. Mas qual é o sentido da vida no mundo do trabalho incessante? E quem encontra tempo para se dedicar à busca do sentido das coisas? Atualmente, estamos diante de um impasse em relação ao uso do tempo, por isso a necessidade de refletirmos sobre o papel do ócio criativo, da preguiça, da pausa para pensar e (por que não?) contemplar.

“Na era do grande desenvolvimento tecnocientífico e digital, maravilhosas máquinas economizam o trabalho mecânico, mas criam, ao mesmo tempo, dois novos problemas: primeiro, uma espécie de intoxicação voluntária, isto é, mais a máquina nos parece útil, mais ela nos torna incompletos. Isto é, a máquina governando quem a devia governar; daí decorre o segundo problema, bem mais complexo: tantas potências auxiliares mecânicas tendem a reduzir nossas forças de atenção e de capacidade de trabalho mental, o que se relaciona aos seguintes fenômenos: impaciência, rapidez e volatilidade nunca antes vistas”, diz o jornalista e filósofo Adauto Novaes, organizador do ciclo de conferências Mutações: Elogio à Preguiça.

Contando com a participação de Marilena Chauí, José Miguel Wisnik, Maria Rita Kehl, Jorge Coli, etc., o ciclo de conferências está estruturado em quatro eixos:

1. as ideias de tempo: mecânico do trabalho, lento do pensamento etc.;
2. as ideias de trabalho: mecânico e repetitivo, criativo das obras de arte e de pensamento;
3. as ideias de progresso: uma das finalidades primordiais do trabalho na modernidade;
4. as ideias de preguiça: dos devaneios à melancolia.

A palavra “preguiça é, certamente, uma das mais suspeitas e perigosas. Dela decorre longo cortejo de acusações bizarras, mas também noções de obras de arte, poesia, romance, pinturas, reflexões filosóficas: o preguiçoso é indolente, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso: quem se deixa levar por devaneios. Apesar da oposição, preguiça e trabalho guardam um misterioso parentesco, quase simétrico e especular. A vida íntima que a preguiça leva com o trabalho pode nos revelar que o preguiçoso trabalha muito. Como?”.

Talvez Albert Camus tenha razão: “São os ociosos que transformam o mundo porque os outros não têm tempo algum”.

Datas: 11 de agosto a 07 de outubro | Quartas, quintas e sextas, às 19h30

Local: SESC Vila Mariana | Sala Corpo & Artes – Rua Pelotas, 141 – São Paulo – SP

Informações e inscrições: Portal SESCSP

Algumas ideias sobre o ócio e o trabalho podem ser encontradas no blog coletivo dos palestrantes de Elogio à Preguiça: www.elogioapreguica.com

Data: 2011.07.21 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Ofício de Aprender | Comentários: 0

“(…) Entre as imensas descobertas do século XX em dois campos específicos, nosso cérebro e os sistemas naturais, guardemos presente as repercussões que têm – ou poderiam ter – uma incidência sobre a problemática educativa, já que elas modificam um grande número de noções fundamentais , indispensáveis para as hipóteses de trabalho da pedagogia, das ciências cognitivas e da epistemologia.

Mencionemos:

– A reavaliação de certos conceitos “fósseis”: causalidade, objetividade, origem, realidade, temporalidade;

- Os conceitos que necessitam ser “revisitados” (ou “esclarecidos” ou “desempoeirados”): os verdadeiros/falsos, debates sobre o inata/o adquirido, a informação, o real, , as origens (do homem, da linguagem) e o mito “indoeuropeu”;

- A emergência de conceitos plurais: níveis de realidade, lógicas, inteligências, memórias, linguagens;

- A emergência de conceitos inovadores: relatividade (Eistein – 1904!), campo, sistema, estruturação, auto-organização, potencialização e atualização, complexidade e complexificação, interface, complementariedade dos contraditórios, cointerdepêndencia, transdisciplinaridade, não linearidade, princípio de incerteza, indeterminação, caos;

- No campo das ciências do vivente: a descoberta de nossa estrutura fundamental, o ADN, os trabalhos sobre o genoma,os neurotransmissores, as fabulosas potencialidades de aprendência, de inovação, de compensação, de reparação de nosso cérebro e de nosso corpo inteiro.

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Numerosos defensores do humanismo ressaltam que a crise que atravessa a humanidade, no fim do que convencionamos chamar século XX, tem por denominação energia, inflação, desemprego, pobreza, precariedade, exclusão, poluição, fragmentação, desintegração do laço social e familiar e outras ameaças opressoras. Mas a mundialização da crise econômica, social e política é, na realidade, uma conseqüência da crise de percepção que atravessamos: ainda não compreendemos que vivemos num mundo onde os fenômenos biológicos, fisiológicos, psicológicos, sociológicos e ambientais são interdependentes. Nossa sociedade ainda não se conscientizou que o ser humano, querendo ou não, sabendo ou não, também é, e sempre será, dependente das leis de equilíbrio da natureza e do vivente, ou seja do (s) ritmo (s) do vivente, etimologicamente “à ce qui coule” (ao que flui).

Trata-se agora de ficar atento à história do vivente, suas exigências de equilíbrio e de troca que nos permitem, como diz de maneira justa Albert Jaquard “não permanecer passivo, mas imaginar o amanhã”.

Reinventar o Ofício de Aprender. TROCME-FABRE, Hélène. TRIOM, 2010. p.285-300, p.53

Data: 2011.07.20 | Categoria: Cenários, Sons & Imagens | Comentários: 0

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Quando a paisagem ameaça ressecar meu peito/minha alma chove.
(Poesia mínima & frases amenas .Climério Ferreira)

http://www.fnt.org.br/artigos.php?id=782

Data: 2011.07.16 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Notícias | Comentários: 0

Cleo Busatto agosto 2011

Data: 2011.06.28 | Categoria: Companheiros de Aprendizagem, Ofício de Aprender | Comentários: 1

“Antes de estruturar e de construir, um trabalho importante deve ser efetuado para permitir a terraplanagem do terreno, a escavação das fundações e a escuta do ambiente onde se passam as ações de aprender e as ações de ensinar. Antes de procurar conhecer nossos próprios recursos cognitivos e nos colocarmos à escuta das recentes pesquisas sobre o cérebro, é preciso, em primeiro lugar, abrir um espaço de questionamento e de ressonância, descobrir nossas representações, inventariar nossas ignorâncias, assim como, os recursos que precisamos e os que possuímos. “

(…) E se… nos preocupássemos, continuamente, em fazer a mais importante de todas as perguntas:

Salvador Dali -  Landscape

Por quê? Por que faço o que faço,
da maneira como faço, onde e quando eu o faço?
Que finalidade pretendo alcançar, além e aquém dos meus objetivos, fins e alvos?

Ousar questionar a si mesmo significa deixar a lógica da verdade, linear e binária (certo/errado, bom/ruim, êxito/fracasso) e dar à nossa palavra por que o sentido que ela tem em hebreu “lamá”[1]: “em direção do quê?”. Questionamento fundamental , religado ao nosso advir, ao agir, à vontade, ao que ainda está por ser realizado, “de passagem”. Este questionamento difere da interrogação, porque ele não pretende verificar uma resposta conhecida daquele que interroga.

… Quais são os efeitos do questionamento? Fazer-nos sair do pret-à-penser (pronto-a-pensar), do pret-à-dire (pronto a dizer), do pret-à-croire (pronto a crer), abrirmo-nos ao mistério do Outro, ao seu inesperado, ampliar o horizonte e nos descobrir exatamente por causa de nossa atitude questionante. Como isso funciona? O questionamento projeta a resposta no futuro. Ele cria um intervalo, um espaço matricial, onde a resposta irá se constituir, enraizar-se em nossa história, num presente feito com nosso passado e nosso futuro. O paradoxo do verdadeiro questionamento (cf. Ouaknin) é que ele não visa o desconhecido, mas, o imediato, o habitual, o próximo.”——————————————————————————–

[1] …os dois lados do “por que” em hebraico: lamá (= em direção do quê?) e madoua (e por quê razão?), religado ao intelecto, à análise, à compreensão, ao saber, à consciência, à ciência, ao pensamento, ao distanciamento, à coisa realizada. Ela escreve: “No Judaísmo madoua e lamá estão ligadas entre si: a compreensão do que aconteceu poderia servir para agir de uma maneira justa sobre o que acontece e vai acontecer. Mas o essencial na vida é o ato e sua energia: a vontade. Madoua não é um fim em si. E´um meio para melhor atingir seus atos.”

(Hélène Trocmé-Fabre – Fundamentos, arqueologia dos recursos
In: Reinventar o ofício de Aprender, p.45)